sex-positivity

Sex-positivity é a idéia de que a única medida relevante de um ato, prática ou desejo sexual em particular é a de como o consentimento, o prazer e o bem-estar dos participantes são levados em conta.

(…) Mesmo pessoas que tenham poucos sentimentos ruins sobre sua própria sexualidade ainda podem ter sentimentos ruins sobre as práticas e desejos sexuais de outras pessoas. É fácil dizer que você acha sexo bom. É muito mais difícil honrar, valorizar e celebrar a sexualidade de alguém quando você a acha desafiadora, confusa ou perturbadora. E, até onde eu sei, já vi bastante feministas (e não-feministas) me julgarem ou tentarem me envergonhar por minha sexualidade por conta de suas próprias questões com isso (…)

Então de muitas formas eu concordo (…) que o feminismo pode estar muito bem alinhado com positividade sexual. Mas ele desliza nos momentos em que as pessoas arrogantemente julgam outras e no uso da vergonha e da repulsa para tentar convencer pessoas, ambas formas infelizmente comuns em discussões com feministas, na minha experiência. Esses são mecanismos de erotofobia e acredito que essa é uma grande razão pela qual algumas pessoas igualam feminismo com negatividade sexual. Tenho dificuldade em imaginar como alguém poderia criar um conjunto realmente libertador de éticas sexuais se está empregando ferramentas que criam e reforçam a vergonha do sexo.

– Robert Jensen Doesn’t Understand Sex-Positivity

.: Adoro esse excerto. E ele veio daqui.

.: Me ocorre também que um movimento sex-positivity não pretende trabalhar a favor apenas de atos, práticas e desejos sexuais que, tradicionalmente, têm estado numa situação de marginalidade e repressão; a sexualidade a ser positivada, validada e viabilizada, é também a esfera onde repousam pequenos atos que projetam sua identidade de gênero: o modo como você se relaciona com seu corpo e as inúmeras formas de sentir-se bem com e em relação a ele, as maneiras de expô-lo, os acessórios e vestimentas que você escolhe usar, os gestos que você executa, suas idiossincrasias, seus mitos particulares…

.: Não é incômodo e desconcertante que as mulheres de um país sejam incentivadas a barganhar com o próprio corpo, a usar sexo como compensação para conter uma violência e garantir sua segurança? Nós, aqui, tomaremos uma postura crítica em relação a isso, e manteremos a desconfiança quanto às escolhas, por vezes demagógicas, do Nobel da Paz? (o quê, você achou que eu tava falando da Gisele Bündchen na campanha da Hope?)

.: E uma indicação que vem bem a calhar (duas, porque eu andei relapsa nos links de putaria): My nervous mind e Ambidextrously Erotic.

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6 Respostas

  1. Nossa. Na mosca.

    Concordei até com as vírgulas.

  2. Primeiro, é muito bom que eu deixando pra comentar jajá, perca o bonde e venha um post novo. Gosto assim desse ritmo.

    Segundo, sendo bem marginal ao assunto central do post: seria interessante fazer uma lista dos nobéis da paz mais ideológicos e demagócicos. Imagino que naõ me surpreenderia se todos entrassem na lista.

    • no aguardo do depósito na minha conta, viu, amigo mecenas =D

      não acho que todos os nobeis da paz sejam demagógicos, sinceramente. mas digo isso sem conhecer a lista, sem acompanhar nada direito além dos últimos anos.

      bjo, emil

      • Eu realmente fiquei curioso. Quando eu deixei o último comentário, eu estava bem puto da minha cara, e estou revendo minha posição: provavelmente há vários prêmios merecidos e bem estudados.

        Mas, sobrando-me um tempinho, eu vou dar uma olhada na lista.

        =*

  3. muito complicado também a mobilização relacionada ao Nobel da Paz ser ligada ao fator religião. Instável e caprichoso como só, usado como desculpa nas mais diversas situações, igualmente relacionadas a “liberdade de pensamento, comportamento”, etc
    A questão acaba se polarizando, de um lado você tem o culto ao corpo perfeito, influenciado por questões culturais e biológicas de comportamento, por outro a total ojeriza, repulsa e impossibilidade de diálogo das ultra radicais conservadoras. O post deixa várias pontas abertas à reflexão de quem está disposto, o problema é quem nunca está disposto a refletir, e pior ainda, não quer que os outros reflitam livremente, mas sim, reflitam na direção imposta por eles…

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