Ariadna é um puta nome

 

obs: coração partido.

.: Ano passado toda a movimentação anti- Marcelo Dourado gerou uma sensação de união e vigilância à causa LGBT – pelo menos essa foi minha impressão. Sou nova na audiência do Big Brother, mas eu estava aí, angustiada e irritada junto, lendo muitos blogs e twitters que se desdobravam pra explicar, várias vezes por semana, porque Dourado era homofóbico, porque sua torcida beirava o fascismo, porque e como cada situação problemática era, enfim, problemática. Eu vi acontecer: a defesa do grupo dos Coloridos, aqui fora, abraçou com tanta devoção os três participantes assumidamente homossexuais que descambou pra polarização e confronto direto com aqueles que, indiferentes à causa, não torciam pra Serginho, Dicesar, Morango ou seus amigos no jogo. O Dourado levou o milhão, e mesmo assim, terminados os 3 meses, minhas contas diziam que o discurso pró-LGBT tinha se fortalecido, que a agenda dos militantes tinha encontrado mais um campo onde batalhar, onde se firmar, e que um programa assim tão “povão” tinha servido, enfim, ao debate público e a alguma informação. Pelo menos (e estas ainda são minhas conclusões) o clima de solidificação do combate ao preconceito, que sempre tem um lustre intelectualizado e humanista, orientou o discurso da derrota: não levamos o milhão, não levamos as glórias, mas a vitória moral é nossa, nossas convicções são nossas e delas nós cuidamos.

.: Eu acho que esse ano algo de sofisticado aconteceu. Vi muita gente reclamar dos participantes, mas eu gostei bastante deles. A inserção do assunto “diversidade sexual” deu errado no BBB 10 porque foi feita assim, à força, artificialmente, tão alardeada que gerou, ao mesmo tempo, expectativas, festas, pânico e desconforto. E se um homofóbico encenando o gauche solitário no meio de uma ditadura gay se transformou numa espécie de messias, é sinal de que o assunto foi muito mal elaborado por aqui. Em 2011 temos Lucival, que fez o outing logo no primeiro dia, Daniel que assumiu com meias palavras e todos os gestos, e mais uns dois ou três caras que se não são bissexuais, certamente têm um comportamento sexual mais flexível. Diogo esses dias falou que depila o cu porque nunca se sabe quando a menina vai querer brincar com ele, e já deu indícios de que topa ser penetrado por homens também. Rodrigo já disse que curte “uns travecos”, Maurício elogia a beleza dos colegas sem nenhum constrangimento, ele, inclusive, recebeu carícias do Diogo na sala, na transmissão ao vivo. Eu nem vou mencionar aqueles que, suspeita-se, sejam enrustidos, mas arrisco dizer que há um homoerotismo latente e feliz, entre vários rapazes ali. Estou falando, portanto, de um elenco masculino composto, em mais de sua metade, por homens que nem de longe fazem o tipo “machões heterossexuais/ homofóbicos”. Diga-se o que quiser sobre a chatice do Diogo e seu péssimo gosto musical, mas um cara que se depila inteiro, fala sobre seu cu sem frescura e faz carinho nos amigos chama a minha atenção. Deveria chamar a da turma da vigilância pró-LGBT também.

.: No elenco feminino, além da Ariadna, que é transexual, temos a Diana, que se relaciona prioritariamente com mulheres, a Paulinha, que se define como trissexual. O que eu vejo, portanto, não é apenas aumento no número de participantes gays, mas a escolha de um elenco queer, cheio de pessoas cuja sexualidade não se encaixa naquela polaridade besta homos x heteros do ano passado: um elenco inteiro colorido, refratário a etiquetas. Gosto, por exemplo, que mesmo os gays sejam tão diferentes entre si, que uns sejam discretos, outros sejam escancarados, que uns inclusive não se assumam – é sinal de uma sociedade madura quando as pessoas se sentem livres o bastante pra não precisar encarnar estereótipos; então um Rodrigão gay másculo na mesma casa que o Daniel “bichona fofoqueira” (como o temos chamado), me interessa. Mais ainda, a sofisticação que eu vejo na escolha dos participantes se estende ao tratamento a eles conferido pela direção do BBB 11, que não fez da orientação sexual das pessoas, nem do clichê “aceitação do outro” o eixo do programa, das alianças, das dificuldades, das conversas – com ressalva à Ariadna, mas mesmo ela não foi tão exposta quanto os coloridos do BBB 10, ela é quem decide se, quando e para quem contar sobre sua vida.

.: E o surpreendente e decepcionante, para mim, é que um bom quinhão dos espectadores-críticos de Big Brother que engrossaram a força-tarefa pró-coloridos, em 2010, tenha perdido a excelente oportunidade de refinar seu olhar e sua análise, no mesmo passo do programa. Sobre Ariadna e sua condição, esse texto “Homem é homem, mulher é mulher” é exemplar. O que ele nos diz é que nenhum processo de readequação de gênero é capaz de tornar Ariadna mulher porque ela nasceu homem, seus genes são de homem e, portanto, ela é homem. Ignorando todo o conhecimento acumulado sobre a transexualidade, confundindo os conceitos de macho/fêmea com homem/mulher e, pior, sobrepondo uma visão estrita da biologia sobre as questões psicológicas, sociais e filosóficas, Kane usa um argumento muito parecido àquele que Dourado usava pra dizer que homem foi feito pra mulher e vice-versa: essa é a minha opinião. Uma das grandes sacanagens desses tempos é a assimilação de conceitos científicos pelo discurso religioso, e é por isso que de repente a biologia perde sua força herética para endossar a máxima da Gênese segundo a qual homem é homem, mulher é mulher, fim de papo. Dilui-se aquela generosidade com o outro, com sua subjetividade e sexualidade, toda a fórmula que fez avançar a resistência contra a máfia dourada e que tão claramente nos dizia que Marcelo Dourado era homofóbico, preconceituoso, tosco. Refazendo agora as contas, eu acho que parte da motivação pró-coloridos era, antes de mais nada, anti-dourado – sem problemas do ponto de vista do tabuleiro, mas que pena pra agenda LGBT.

.: Outros sites de fãs de BBB que ano passado faziam coro na denúncia à homofobia, este ano fazem piadas, justamente, sobre a sexualidade ambígua de alguns jogadores, ainda que estes mesmos sites tenham simpatia por Ariadna e a queiram dentro da casa. A hipótese que se coloca, pra mim, é que a luz intelectualizada, humanista e anti-preconceitos tem um alcance bem curto nessa recém inaugurada arena de debate, e que ela só dá conta de polarizações mesmo. Que fique claro: se é o caso de trazer pra conversa sobre BBB as questões de gênero e sexualidade, se este é um ambiente propício pra elaboração do público, então não tem cabimento que outros integrantes sejam desprestigiados ou ridicularizados. A xoxota operada da Ariadna está no mesmo universo discursivo que o cu depilado do Diogo, ou a carícia na orelha do Maurício, e a trissexualidade da Paulinha e o jeitão fancha da Diana. Ou a causa LGBT é defendida ou não é; não é possível defender o fato de que Ariadna é mulher e tem direito à privacidade e, ao mesmo tempo, achar que é risível o homoerotismo dos rapazes – os assumidos, os enrustidos e os ambíguos. Algo está muito errado se um discurso militante deslegitima um indivíduo ou comportamento que ele deveria, por princípios, acolher.
No BBB 10 a diversidade sexual foi reprimida, interditada, inviabilizada – e pra mim a cena mais marcante (e horrível) foi quando o Bial disse pro Dourado, ao vivo e em tom de brincadeira, que o Dicesar tinha uma paixão recolhida por ele, o Dourado demonstrou enfaticamente o nojo que a ideia lhe causava e o Dicesar não conseguiu esconder sua humilhação. Eu não vejo, dentro da casa, possibilidade de acontecer uma cena remotamente próxima a esta, e o mérito é inteiro da direção e da escolha dos participantes; o debate que poderia ter acontecido sobre diversidade sexual no BBB 10 encontra, agora, espaço e agentes adequados e finalmente pode sair dessa obviedade, dessa coisa obrigatória e mínima que é “aceitação do outro“. Mas isso, claro, dentro da casa. Aqui fora, parece, a questão está ainda centrada no segredo da Ariadna e na pergunta: ela deve contar, sim ou não? – e tudo bem, desde que o pressuposto seja o reconhecimento público de que ela é mulher e não uma “pegadinha”, ou uma enganadora de homens indefesos – o corpo da Ariadna não é uma armadilha, nem uma aberração.

.: Só mais uma coisa. Não pertence exatamente ao discurso pró-LGBT a defesa da mulher, mas eu acho que o feminismo e o movimento gay tem lá suas afinidades e convergências. Então há textos, piadas e provocações que andam num fio de navalha, muito próximos de cometerem injustiças e discriminações indesejáveis, sobretudo porque, repito, estamos falando de uma audiência engajada. Quando dizemos que Michelly tem que ter vergonha das danças que fazia, ou ironizamos a Maria por ser atriz pornô, quando se escreve este texto, pra dizer coisas como “no batalhão de fortões e gostosas… alguém sabe diferenciar ali quem é quem?“, estamos num flerte perigoso entre a acidez e o machismo, disfarçado de crítica dos costumes brasileiros, ainda por cima. Claro que eu percebo que há um descompasso entre o papel de santinha que a Michelly está encenando e sua profissão, a Maria vai na mesma fórmula. Penso que pode-se, sim, rir desse teatrinho que elas fazem, sem contudo perder de vista suas motivações, seu direito a portar-se como quiserem e, principalmente, o moralismo que motiva as piadas do lado de cá. Assim como acho aceitável que Ariadna não queira contar que é transexual, ou que foi prostituta, acho aceitável que Maria seja atriz pornô, não queira contar pra ninguém e ainda queira passar uma imagem recatada – seja por estratégia de jogo, seja pra não ser maltratada quando sair, seja porque ser atriz pornô não implica necessariamente numa personalidade expansiva ou safada ou o que quer que seja. A liberdade sexual dela permite isso também: trepar com quem, quando e como ela quiser, sem ser humilhada, ridicularizada ou limitada a isto.
Esse prazer cruel em desmontar publicamente um indivíduo faz parte do programa, sabemos todos. Compõe nosso voyeurismo e a competição pelo milhão. Mas – repito porque né? – um público que se diz esclarecido e contrário aos preconceitos “do povão” deveria evitar, justamente, reforçar esses mesmos preconceitos. O texto da Nina Lemos, embora sensível à situação da Ariadna, depende dessa bobagem de reduzir os participantes a “fortões e gostosas indistinguíveis”, como se eles não tivessem voz, interesse ou atuação nenhuma no programa, o que certamente não é o caso. Quero dizer, enaltecer uma transexual às custas de outras pessoas, sobretudo estas pessoas, com histórias, personalidades e identidades igualmente interessantes, do ponto de vista dos gêneros e do movimento LGBT, me parece um deslize grave, e uma falta de senso de oportunidade daqueles que querem ver nos espectadores do Big Brother Brasil um horizonte menos machista e homofóbico.

.: Só pra constar, meu ranking do milhão é o seguinte: 1) Ariadna 2) Paula 3) Maria 4) Maurício 5) Natália (mas nem sempre nessa ordem, e aguardando a Diana começar a jogar de verdade)

.: Eu sempre fico encantada quando o nome Ariadna aparece de maneira apropriada. Não é minha figura mítica preferida, mas há vezes em que emprestamos esse nome por aqui e fica uma coisa tão poética. Que escolha linda, a dela.

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28 Respostas

  1. Aline, que texto ótimo. :)

  2. Eu sou da turma que não assiste, mas sabe quem são as pessoas e acompanha as discussões. E vi em algum lugar o lance de um dos caras mordendo o mamilo do outro. Na hora pensei: “ué, mas o gay não era o negão?”. Daí caiu a ficha, de que é isso que você tá dizendo. Sem cotas, sem etiquetas, do jeitim que a gente gosta. E sorri. \o/

  3. Muito bom texto…. lúcido e sem nenhum julgamento… obrigado!

  4. […] This post was mentioned on Twitter by Pedro Jansen, andrepiaui and ✔ Verified Account. ✔ Verified Account said: abrindo os trabalhos do dia com o post foda da @tdbem: http://bit.ly/ftSKfd […]

  5. O texto é ótimo e tal, mas no final fiquei me perguntando: Mas Big Brother? Quem é que aguenta assistir a tudo isso? Quem é que não acha o tipo que vai pra lá meio tosco? O que é que se pode esperar de pessoas que participam do Big Brother? E de quem tá assistindo a ele?

    • obrigada. e uma pergunta de cada vez:
      Mas Big Brother? é, pois é.
      Quem é que aguenta assistir a tudo isso? trocentas pessoas.
      Quem é que não acha o tipo que vai pra lá meio tosco? trocentas pessoas. provavelmente as mesmas da resposta anterior.
      O que é que se pode esperar de pessoas que participam do Big Brother? melhor não esperar nada.
      E de quem tá assistindo a ele? melhor não esperar nada também.

  6. Texto fantástico!

  7. Muito bom, imparcial e ético.

    O layout do blog também está
    ótimo e tornou a leitura bem despojada.

    Parabéns! :D

  8. Excelente texto! Parabéns!
    Que ótimo que um programa cujas intenções são as piores possíveis pode suscitar um debate tão importante!

  9. Não tenho visto BBB. Não porque eu desprezo, faz tempo que eu parei de fazer pose.

    Mas eu não aguento mais perder, sabe? Tô precisando ganhar umas batalhas, e não tá fácil não, principalmente quando — acho que você conhece bem a sensação — quem a gente acha que deveria tar lutando do mesmo lado está jogando pedra contra.

    Enfim, desabafinho bobo, porque me falta experiência e teoria pra comentar a fundo. Eu ia trazer uma outra citação do Eagleton (essa pelo menos eu sei onde está) pra comentar um ponto menor, mas deixa aí na minha conta.

  10. Primeira vez que entro no seu blog, e tenho que dizer: ótimo texto, muito bom mesmo. Concordo com tudo o que você diz, e não tinha pensado ainda nas pessoas que compõem esse BBB 11 e no quanto a diversidade, aqui, está sendo tratada de uma forma mais plural, mesmo que os julgamentos do público ainda sejam terríveis e cheios de preconceito. Mas espero que algum dia todos percebam que, se defendemos a liberdade de um certo grupo, não podemos restringir a liberdade de outros.

  11. Aline,

    Belíssimo post. Nunca fui ligada no BBB, tanto que só via alguns trechos e lia algumas discussões, mas depois do seu post …me deu uma vontade louca de acompanhar o BBB11. =)

    Fernanda

  12. […] li um ótimo post (via Paulo Candido) sobre as aberturas proporcionadas às lutas anti-discriminação LGBTT por um […]

  13. Há muitos anos que não vejo BBB e não será dessa vez que voltarei a ver, mas seu relato me deixou bastante animado, e pretendo ler o que você, a Mary W e outros blogueiros escreverem sobre o programa.

    E esse atual “piadismo” dos “pró-coloridos” de antes, infelizmente não me surpreende nem um pouco. Parece que setores da turma pró-colorida só se unem mesmo num ambiente de confrontação. Em alguns momentos, o deboche, vindo dos LGBT, consegue tão ofensivo quanto a homofobia.

    Detalhe: os ataques homofóbicos na Paulista mostram que estamos sim, ainda, em um ambiente de confrontação, mesmo com a arejada que Boninho deu ao elenco do BBB.

    • Não sei se me animo a escrever de novo sobre BBB, embora acompanhe o programa. Também não estou lá muito empolgada depois da eliminação da Ariadna, então veremos como ficam as coisas nessa edição.

      Eu não acredito que nenhum preconceito acabe de maneira linear e vertical, em todas as suas manifestações; acho que o enfrentamento se dá de maneira descontínua, pontual, instável. A eliminação da Ariadna é sinal de intolerância, claro, mas sua permanência não significaria uma espécie de abrandamento do preconceito que, ano passado, encheu bem nosso saco. Eu a preferia dentro da casa, eu estava completamente encantada por ela. Uma pena.

  14. “O dom de despertar no passado as centelhas da esperança é privilégio exclusivo do historiador convencido de que também os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer. [b]E esse inimigo não tem cessado de vencer[/b].”

    Benjamin, porque é com melancolia mesmo.

    • nem fiquei melancólica, fiquei triste só. e mais por ela do que pela “história”, pelo conjunto dos vencidos. eu não gosto de depositar num único evento o peso do sinal da mudança de ventos, e por isso eu oscilo entre achar que a) sim, programas de massa podem ser (com o “podem” em negrito e sublinhado, pq ainda não são) um foro interessante de debate e informação e b) não, não ia fazer muita diferença pro sucesso do movimento lgbt se ela ficasse mais uma semana, ou duas ou dez no big brother.
      enfim, enfim.

  15. Porra: casaria com um Macho de nome “Ariadne”. puta post. valeu.

  16. Coisa linda de post, querida!
    Fazia tanto tempo que eu não assistia BBB e ontem dei uma parada nos trabalhos para ver quem saia. Tão lindo que foi Ariadna dizer que fez história. Bem chorei, bem bobona…
    Estou com os dedos coçando para escrever sobre o programa, sobre o jogo como exceção e a vida como jogo e sobre a palavra confinamento (que na Ditadura era o termo usado pelos que tinham que ir a polícia todos os dias dar as caras mostrando que estavam se comportando bem, etc, etc). Mas como não posso agora me delicio com o seu texto tão inteligente e propositivo.
    E queria dar um destaque especial a parte final do seu texto. Para mim está aí a diferença radical do seu pensamento ético que pensa a singularidade do sujeito: não é sobre os outros, que também são Outros, que temos que superiozar uma decisão, uma postura, etc, ainda mais a escolha de Ariadna tão singular e corajosa. Queria falar mais e mais e mais, mas tenho que voltar ao trabalho e tals, você sabe =) Parabéns pelo texto, lindona. Um beijo grande.

    • poxa, eu tbm queria saber mais o que vc pensa.
      eu não tinha esperança que ela ficasse, já sabia que o jogo tinha acabado pra ela. chorei mesmo assim, fiquei super comovida.

      outro beijo, ma belle.

  17. Muito bom o seu texto Aline! É a primeira vez que visito seu blog, e claro, voltarei!

    “A xoxota operada da Ariadna está no mesmo universo discursivo que o cu depilado do Diogo, ou a carícia na orelha do Maurício, e a trissexualidade da Paulinha e o jeitão fancha da Diana”.

    Puto fragmento! E o melhor, com uma puta verdade!

    Abraço.

  18. Peço licença para linkar seu texto ao meu post de hoje. Não há palavras para elogiar o que aqui expos. Por isso apenas menciona-la no meu blog seria pouco, preciso que as pessoas que me leem, possam dividir comigo o contexto das suas ideias.Parabens pelo otima argumentação.

    Abraço.

  19. seu texto é muito bem escrito, mas ainda há muito a aprender sobre mulheres pós-op. a sociedade concordando ou não, uma mulher pós-op não se enquadra mais na classificação redutora transexual. com a retificação dos documentos referendando o sexo feminino (o que já aconteceu com ariadna), não há o que discutir e ninguém é obrigado a contar seu passado, pois vivemos no presente. quanto à sigla glbxyz, esta não representa as mulheres que já conquistaram seu direito de ser mulher e já venceram as etapas mais importantes na constituição de sua personalidade, querendo apenas viver em paz, no anonimato, como qualquer pessoa comum, sem levantar bandeiras de grupos. de qualquer modo, parabéns pelo texto.

  20. vc tem razão. dizer que a ariadna é transexual é um erro, ela foi transexual e sua identidade não tem que ser questionada, como a minha não é e blá.
    contudo, há um problema de linguagem aqui. se ela protagoniza um debate a respeito de transexualidade e da causa glbt, creio, tem a ver também com o que ela foi, o que ela ainda representa, o processo pelo qual ela passou. acho razoável que isso entre na conta na leitura do meu texto.
    mais uma coisa: ela mesma se caracteriza como transexual. declarou-se como a primeira transexual a entrar no bbb, ao mesmo tempo que, categórica, afirma seu gênero: sou mulher. caberia dizer-lhe que ela também tem muito o que aprender sobre si mesma?

  21. oi ariadna paulinha e uma safada

  22. veja o que diz a própria ariadna na reportagem da folha

    http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/872662-playboy-ja-entrou-em-contato-diz-ariadna.shtml

    ——-
    A cabeleireira ainda disse que não gosta que as pessoas ainda a definam como transexual.

    “As pessoas tem que botar na cabeça que hoje eu sou uma mulher. Transexual foi um diagnóstico dado pelos médicos. As pessoas usam isso de uma forma para ofender.”

    • camila,

      o debate público tende a seguir uma linha, uma evolução – sobretudo porque, como vc disse antes, há muito o que aprender. a mesma ariadna que disse que não gosta de ser chamada de transexual, com toda a razão do mundo, se declarou transexual qdo saiu do bbb. meu texto foi escrito no momento em que transexualidade estava muito em pauta, antes mesmo dessa eliminação. agora, depois de tantas matérias, entrevistas, posts, etc, evidente que o posicionamento médio muda.
      vou repetir mais uma vezinha pra vc: concordo que é um erro dizer que ela é transexual; ela é mulher. só que se isso fosse óbvio e cristalino, desde o primeiríssimo momento, não haveria problema nem debate, é pq o reconhecimento de sua identidade de gênero não é imediato que estamos aqui, escrevendo e conversando a respeito. então eu entendo que ariadna diga, em momentos diferentes, que ela é transexual e que ela não gosta de ser chamada de transexual, entendo que a linguagem oscile e que as entrevistas toquem em pontos específicos e se proponham, paulatinamente, a esclarecer os termos, as expressões, os conceitos.

      se, contudo, sua intenção é apenas me corrigir, fique tranquila que está cumprida a missão: ariadna é mulher, é mulher, sem dúvida, ariadna é mulher. e não transexual nem traveco nem homem nem viado, como dizem alguns que a querem ofender – ou, apenas, alguns que patinam no debate, vai saber.

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