o segredo dos seus olhos

.: Eu sou daquele tipo de pessoa que, diante de uma obra que não teme o sentimentalismo, assume as próprias inclinações sentimentalistas. Acho que é por isso que o cinema argentino frequentemente me pega tão de jeito: ele me inspira a falar de amor, assim, esparramado, sem receio de parecer cafona. Bom, talvez um pouco de receio, mas dane-se.

.: O segredo dos seus olhos é preciso, tão adequado na combinação de filme noir e romance, tão bem sucedido em retratar um contexto político específico. Como sempre, o resumo encontra-se fácil por aí, para os poucos que ainda não o assistiram. O que segue, aqui, é só um apanhado de notas minhas, que eu queria muito escrever algo sobre o filme.
Convenientemente eu começo dizendo que o filme é bem feito, que enche os olhos, já que eu não saberia encaixar essa observação depois daqui. Só a cena do estádio, começando pelo céu e chegando na torcida já vale a pena. Mas então. Em resumo, eu diria que O segredo dos seus olhos demonstra o quanto um cenário social e político opressor diminui a espontaneidade das pessoas e, por consequência, dificulta que a vida privada, que os afetos e os sonhos se realizem com plenitude e tranquilidade. Acho, também, que ele nos diz que um Estado autoritário não implica necessariamente em instituições fortes, e que disso também decorrerá indivíduos minados, hesitantes, enfraquecidos. Li numa entrevista do Campanella que ele adoraria fazer uma minissérie a respeito dos anos 70, mas que “infelizmente na Argentina as feridas ainda estão abertas. As pessoas que foram afetadas de um lado e do outro ainda não estão dispostas a realizar uma revisão desses anos”. Diz, também, que sua intenção não era analisar o período (imediatamente anterior à ditadura), e sim criar um interesse a respeito dele. Mas isso é só a famosa modéstia argentina falando; o filme dá conta, com sobras, de um exercício reflexivo. Sabemos da gravidade desse tipo de ferida que ele menciona, ainda que na Argentina a repressão tenha sido maior e mais truculenta do que aquela que vimos por aqui. Não me preocupo, contudo, em escalonar qual governo foi mais atroz em suas práticas de repressão e controle, há boas instituições jornalísticas pra fazer isso por nós. Enfim. Eu acho que se há uma tese defendida aí no filme é que as histórias de amor não se constroem num vácuo sócio-político, e que as paixões, mesmo as mais íntimas, mais alientantes, mais subjetivas, estão à mercê de eventos externos e, num contexto de tensão e violência, elas poderão ter destinos decepcionantes, esvaziados, melancólicos.

.: Assim eu entendo, por exemplo, o começo com o Benjamín tentando escrever um romance de não-ficção e oscilando, nos rascunhos, entre falar de seu amor raté por Irene e o assassinato da Liliana. Essa confusão da memória, essa dificuldade dele em achar um lugar devido para cada acontecimento, e mesmo em achar seu próprio lugar entre todas as coisas, é indício de alguma experiência traumática – cuja profundidade nós levaremos praticamente o filme inteiro para conhecer. Ele escreve, numa das vezes, que quando recebeu a notícia da morte da esposa, “Morales começou a olhar seu próprio futuro e comprovar que, sem dúvida, seu futuro era nada”. Essa ideia de um futuro que é nada, de uma vida vazia, de uma vida cheia de nada, ela é muito recorrente no filme (e como é eloquente o próprio ato de reiteração) e pontua, para nós, o que é que assombra todas as personagens.
Irônico que a ameaça de uma vida vazia seja a chave de compreensão de vários aspectos do filme, sobretudo porque ele se sustenta em valores grandiosos e intensos como amor, paixão, vida, morte, justiça, vingança, verdade, devoção, sacrifício; mas creio que é isto mesmo, a negatividade que emana do episódio arrebatador do assassinato, assim como do ambiente social da pré-ditadura, parece contaminar os destinos pessoais a ponto de projetar, neles, o risco da aniquilação, do atrofiamento, do esquecimento. Nesse sentido, acho exemplar a conclusão de Esposito sobre a conversa que ele tem com Morales, quando se encontram por acaso na estação de trem: “é como se a morte da mulher o tivesse deixado para sempre detido… eternamente. É um estado de amor puro, sem o desgaste do cotidiano”; não encontro imagem melhor para a condição melancólica do que essa do amante eternamente paralisado no tempo, preso tanto por seu afeto quanto por sua desgraça, mas acho ainda mais significativo que isso represente, para o investigador, um “estado de amor puro” porque é uma visão pessimista da vida e dos relacionamentos. O marido que todos os dias espreita o assassino da esposa renunciou à própria vida e suas possibilidades, ele está num caminho solitário e repelente ao desejo, à procura, ao novo e, portanto, se afasta da condição mesma de amante. Apenas num contexto muito peculiar esta personagem triste e paralisada poderia satisfazer a figuração de um amor puro e inabalável pelo cotidiano, aliás, apenas num contexto muito peculiar o amor poderia ter uma definição excludente do cotidiano, das imperfeições e do porvir – mas as idealizações adequam-se a isto mesmo, a contextos peculiares, reacionários e inférteis.

.: Se há na trama uma tentativa de resistência, penso eu, ela está mais claramente engendrada no Sandoval, o bêbado adorável que nos explica: “um sujeito pode mudar tudo na vida, menos uma paixão”. É irônico, mas delicioso, que essa teoria, um quê idealista também, seja a resposta e o antídoto possíveis ao cenário político opressor. “Porque é uma paixão”, expressão exata que Sandoval encontra, não apenas desvenda o caso Liliana Coloto como esclarece o eixo em torno do qual a vida de todos eles se organiza e define. E penso que não é sem cuidado que o fim de Pablo Sandoval tenha sido tão brutal; a morte de uma personagem assim rica e espontânea só valeria mesmo de alguma coisa se mostrasse com que força o governo de Isabelita Perón atravessou a legalidade, a justiça e a segurança dos indivíduos. Que Isidoro tenha estuprado e assassinado Liliana, e que o tenha feito porque era obcecado pela moça desde a adolescência, tudo isso faz parte de uma trama devidamente consciente do machismo e das violências que ele gera, num âmbito prioritariamente individual. Mas a partir de sua soltura, a paixão de Isidoro, sua liberdade e crueldade se tornam elementos de uma trama redimensionada, consciente, desta vez, dos efeitos do autoritarismo sobre as instituições políticas argentinas. É fato que, nestes dois anos anteriores ao regime militar (que Campanella chama de ovo da serpente), criminosos de todo tipo foram absorvidos pelo Estado para auxiliar na perseguição e execução de “subversivos”; e quando Sandoval, que não era subversivo, morre para proteger seu amigo Esposito, que também não era, apenas porque Isidoro tem meios e respaldo para vingar-se, o filme já não está mais falando de um caso particular de violência, ele está ocupado da violência institucional, da desmantelação dos fundamentos do Estado de direito.
É mais ou menos por aí que eu entendo aquele jogo de palavras TEMO – TE AMO: a incompatibilidade entre as instâncias públicas e as íntimas, o subconsciente do Esposito manifestando seu desejo e tropeçando, contudo, no condicionamento da linguagem, da expressão e da interpretação. Na primeira vez que vi o filme, fiquei associando a ausência da letra A da máquina a um livro de Perec, La disparition. É um romance tipicamente oulipiano, escrito do começo ao fim sem nenhuma palavra que tivesse a letra E, coisa que eu considero um feito. Sendo o -e a declinação do feminino na língua francesa, sua ausência no romance faria, para alguns, a correspondência concreta entre a expressão linguística e o sentimento do autor pela perda da mãe – em português o livro foi traduzido como O sequestro, escrito sem a letra A. Enfim, à primeira vista, essa impressão de “ausência do feminino” foi muito insistente no meu entendimento do filme, sublinhada pelo fato de que o impulso da trama tinha sido o desaparecimento de uma mulher. Não arrefeceu por completo, embora nas vezes seguintes em que assisti ao filme a impressão tenha perdido sua força; o que não quero, sobretudo, é dar a entender que o filme trava um embate simbólico entre o feminino e o masculino, no qual o amor, as paixões contrastam com a política, a força física, a violência, etc. – esse tipo de leitura não me agrada nem me convence. Mas acho que há, sim, algo de significativo e sutil nessa letra A que não se escreve, que desaparece, que tem que ser colocada a mão pelo Esposito enquanto ele tenta narrar – e portanto, entender e organizar – a própria história, acho significativo que ele só compreenda o TEMO – TE AMO no final do filme, depois de solucionar o caso que atravessou sua vida.

.: E eu acho também que Esposito encontra mais do que o desfecho do caso Liliana Coloto naquele sítio do Morales: o marido e o assassino, em convívio perpétuo e silencioso, à sombra do desaparecimento de uma moça ocorrido 25 anos atrás é a própria mise-en-scène da pergunta que o intrigou durante todo o tempo, “como se faz para viver uma vida vazia?”. E acho que, a despeito do pessimismo do filme e de sua aspereza condizente à história da Argentina, é um aceno à superação que Benjamín Esposito consiga, finalmente, levar flores ao túmulo de Sandoval e se declarar a Irene; superação em dois âmbitos, aliás, porque assumir seu luto e “enterrar” de vez seu amigo significa enfrentar os efeitos da violência institucional sobre sua vida pessoal, e prevalecer sobre eles. Assim como assumir sua paixão e enfrentar o desgaste do cotidiano sobre o amor significa recusar a ausência de futuro, o processo melancólico que atrofia a vida ao qual ele esteve preso por 25 anos. É bonito.

.: Eu não disse que esse filme me deixava sentimental?

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15 Respostas

  1. Excelente filme, realmente. Foi um dos raros casos em que eu concordei plenamente com a premiação do Oscar.

    Você conseguiu notar camadas que eu não vi quando assisti a película no cinema.

    Vou alugar o DVD no fim-de-semana, pra rever e reviver essas passagens que você soube descrever de maneira tão sensível e saborosa.

  2. Um cara que eu tenho lido atualmente é o Terry Eagleton. E nos textos dele que eu não estou lendo, ele tem falado bastante sobre amor. Inclusive, um dos pontos dele é a impossibilidade ou a dificuldade do amor numa sociedade opressora (no fundo, todo comunista é um sentimental…).

    Vou ali encontrar algo sobre isso e volto depois.

    • lembrando que vc que me recomendou esse filme. golaço.
      cadê a citação do eagleton?

      beijos

  3. Ai, que linda sua leitura, Aline! Adorei.
    Eu percebi a entrada da letra A lacanianamente. Acho que é porque os argentinos são tão psicanalisados. hehe. Segundo minha leitura, a letra A viria porque o sentido se dá après coup. Só depois, no fim da história, Benjamín pode dar outro sentido aquele significante que o acompanhou por um longo tempo. Daí que a mudança, a inserção do A, é a chance de re-significar para mudar o rumo da própria história. Ou seja, ele descobriu que “no se cambia una pasión” como dizia o filósofo Sandoval! Eu e um amigo sustentamos a tese que Sandoval é um filósofo.
    O que faz o filme incrível também, como você disse, é a maneira de apresentar as instituições. Achei incrível! E a maneira como se coloca o mal (a prisão do assassino na casa do viúvo) mostrando que somos todos potencialmente fascistas.
    Lindo, lindo post, querida.
    Um beijo

    • eu não entendo nada de psicanálise, e acho que nem me ocorreria que a passagem de temo a te amo seja uma ressignificação, de tão apegada eu estava ao livro do perec e a ausência do feminino. mas é uma leitura ótima, que se encaixa tbm.
      há um flerte constante com o fascismo, eu acho. aquele romano, o funcionário corrupto, é absolutamente escroto. o final é de arrepiar tbm. a parte q me fez chorar foi justamente qdo o isidoro pede pro esposito pedir pro morales falar com ele. a sensação de claustrofobia, de néant que me deu, olha. incrível. o sérgio leo comentou que o filme aborda a potencialidade fasciat das torcidas de futebol, mas aí eu não alcancei. se vc tiver entendido isso tbm, me explica, por favor.

      beijos e obrigada, sempre, pelo carinho.

      • Então, bonita, eu vi o texto do Sérgio Leo, ele fala bem rapidinho, né? O que posso pensar dessa associação fascista com o futebol é o imaginário bélico que domina o esporte (de aniquilação do inimigo, do amor incondicional, da fidelidade, etc). Na América Latina, sobretudo, nas duas ditaduras, aqui e na Argentina, foi realizada uma copa do mundo que “uniu a nação”. Muitos críticos argentinos condenam aquela copa, de 1978, como o diabo. Porque na Copa se suspendia a própria exceção em nome do apoio incondicional à seleção argentina. Ou seja, eram todos em nome da pátria, sem carrasco nem vítima, todos em nome da mesma pátria que matava, torturava, desaparecia, etc. Não sei se ajudo com esse comentário, é que sei pouco sobre o assunto =)
        Um beijo, querida!

        • nossa, mas claro. eu fiquei tão presa àquela torcida específica do racing, ao isidoro individualmente, que esqueci da fórmula básica ditadura + copa. a passagem do sergio leo é curta mesmo, ele fala basicamente o que eu escrevi aqui, então minha ficha não tinha caído.
          aliás, percebi que foi meio rude te perguntar sobre isso assim, tipo “olha lá e me fala”. eu deveria ter explicado q o q ele disse eu disse pra vc e tal. desculpe o mal jeito =P

          beijos!

        • hahaha! Querida, não foi nada rude. Imagina =)
          Beijo.

  4. […] muito do filme e queria comentar sobre ele aqui, mas acabei não fazendo. Agora acabei de ler o comentário da Aline sobre o mesmo filme e me motivei de novo a escrever aqui sobre ele. Principalmente porque minha […]

  5. Grande post, Aline. Esse filme me traz lembranças muito bonitas. Eu o assisti ano passado com minha namorada, por acidente, durante o antigo corujão do Belas-Artes – que criminosamente será fechado. Ele era justamente o filme intermediário dos três e eu já estava resmungando, morrendo de sono e raiva com aquela ideia excêntrica de Mariana – imagine, virar a noite vendo filmes, quem aguenta? -, quando me deparei com aquele filmaço. Não consegui desgrudar o olho da tela. O roteiro é bem amarrado, a direção sublime e as atuações divinas – em especial a de Guillermo Francella como o Sandoval que ilustra teu post. Três cenas me marcaram nele, a perseguição no estádio, a de quando é mostrado como Sandoval morreu em um flashback e a cena final, claro.

    E essa tua leitura é perfeita: “eu diria que O segredo dos seus olhos demonstra o quanto um cenário social e político repressor diminui a espontaneidade das pessoas e, por consequência, dificulta que a vida privada, que os afetos e os sonhos, se realizem com plenitude e tranquilidade” – eu pensei em algo parecido quando saí da sala, na ocasião, me veio à mente certo comentário de Deleuze sobre o pensamento político de Spinoza no qual ele disse o seguinte:

    “(…)Isso permitirá que Spinoza, por exemplo, realize uma abertura em direção a um problema moral e político muito fundamental, que será sua própria maneira de estabelecer o problema político: como acontece que as pessoas que têm o poder, não importa em que domínio, tenham necessidade de afetar-nos de uma maneira triste? As paixões tristes como necessárias: inspirar paixões tristes é necessário ao exercício do poder. E Spinoza diz, no ‘Tratado teológico-político’, que esse é o laço profundo entre o déspota e o sacerdote: eles têm necessidade da tristeza de seus súditos”.

    Sim, um regime opressor demanda que as pessoas tenham sua capacidade de agir restringida, o que é feito apenas secundariamente pelo aparato de propaganda de si e pelo aparato de coerção, posto que, antes de mais nada, é necessário que as pessoas sejam frustradas e amedrontadas naquilo que é referente ao mais íntimo de sua vida – e é esse o elemento central da questão da manutenção do Poder, pois crer que a força que o sustenta é sua própria força (e não a falta dela por parte de quem é dominado), é supor certa transcendentalidade em operação, o que, em último caso, valida os pilares centrais da dominação (ou pelo menos como nós a conhecemos no Ocidente).

    E a câmera de Campanella captou isso com uma singela maestria – e embora não goste de rankings ou premiações, se é para existirem, que premiem obras como essas.

    beijos

    P.S.: E isso me faz pensar sobre os rumos do cinema tupiniquim, tão grandiloquente e muitas vezes tão pretensioso – incapaz de capturar de capturar menos do que isso quando não se presta a exaltar a violência…

    • Acho que a cena que eu mais gosto, no filme inteiro, é aquela em que o Sandoval decifra as cartas, que ele fala das paixões, é justamente a cena que ilustra o post, os olhos deles brilhando enquanto fala todas aquelas coisas. Eu assisti ao filme em casa, então vi essa cena repetidas vezes, sempre hipnotizada pela atuação do Francella.

      a citação do deleuze, como todo seu comentário, toca no ponto exato que tornou esse filme tão fodástico pra mim, me interessa demais a configuração, na arte, das práticas do autoritarismo, do fascismo, da violência. acho que se há um canal pra que se discuta e pense essas coisas, a literatura é exemplar – mas claro, eu to puxando a sardinha pro meu lado. mas enfim, é isso.

      beijos – e obrigada pela menção ao meu blog no seu post, que acabei de ver. mas sinceramente, não é pra tudo isso: esse blog é feito nas coxas, com total displicência. tá bem aquém dos elogios que vc me atribuiu.

      ps. 1 – Eu já passei muitos corujões no belas artes qdo morava em sp, ponto pra sua namorada =)
      ps 2 – percebi, com seu comentário, que eu fiz uma escolha errada de palavras, e usei repressivo qdo deveria dizer opressivo. consertei, e fica aqui o registro.

  6. Que beleza, Aline. Mesmo que não seja um entusiasta com o filme, admiro a intensidade da tua escrita (bastante lúcida e pontual, até necessária em vários segmentos da análise).

    Um abraço. Voltarei sempre, agora.

    • obrigada, e seja sempre bem vindo :)

  7. Sou apaixonada por esse filme, por toda a delicadeza que ele tem em falar de amor, no meu ponto de vista, é de uma forma talvez um pouco sublime, mas tão intenso, que realmente nos deixa sentimental. Não é um romance hollywoodiano direto, tampouco um filme dramático, ele vai bem mais além disso. Gosto de coisas surpreendentes e não há como negar: “o marido e o assassino, em convívio perpétuo e silencioso” foi um final pra ninguém botar defeito.

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