miettes

.: Apenas lembrei disso e queria contar: o mais adorável elogio que eu já vi uma mulher receber. Ela era professora da faculdade, e muito (mas muito) bonita. Não vou descrever, imagine-a você como quiser. Suas aulas eram boas, engraçadas e interessantes, e a doçura na modulação da voz fazia com que meninos e meninas, sentados nas carteiras, se apaixonassem. Foi o Rodrigo, um romântico incurável, que me disse, certo dia, que essa professora era bonita como um conto do Borges. Só não sei se ele teve coragem de dizer isso diante dela – aí é que está todo o problema, aí é que está.

.: Descubro, pelo twitter, um rapaz que leu aquele meu post mais recente sobre aborto e fez o seguinte comentário: abortista admite votar em Dilma por maior probabilidade de se ter uma lei favorável. Bom, não foi isso exatamente o que eu disse, mas dou de ombros, contanto que não venha – e ele não veio mesmo – empatar minha vida com argumentos anti-escolha e interpretações chatas do que escrevi. Ele, sendo religioso e contrário à descriminalização do aborto, pareceu não gostar muito do que leu, ou seja, a parte da Dilma representar uma chance a essa causa. O engraçado, merecedor de nota aqui no blog, é que ele vai votar no Plínio, se eu percebi direito. Logo o Plínio, que é o único, dos quatro, que se posiciona claramente a favor da descriminalização. Como disse Aristóteles: então tá.

.: Se eu sou abortista, eles são o que? Obrigadores à gestação? Idólatras da maternidade? Tsc.

.: Outra do twitter. Esses dias um rapaz repetiu um tuíte meu, que é bem antigo, que dizia basicamente que quando uma relação começa a demandar muita energia, ela talvez não valha a pena. E logo em seguida outra pessoa, muito querida do moço, retuitou também. Na tradução imediata das redes sociais: climão.
Não quis constranger meu contimeline dizendo que, oh rapaz, deixe disso. Que eu escrevi esse tuíte numa época ruim, estava de má vontade com pessoas que amo e, depois de pouco tempo, tive o prazer de ser desculpada e reaver, com sobras, as belezas de um relacionamento incrível, com uma pessoa incrível. Esse negócio de não querer que um afeto dê trabalho, isso eu aprendi, é besteira. Nem todas as relações valem a pena, é verdade. Mas as que valem quase necessariamente demandarão muita energia e paciência. Então se você estiver lendo isso, meu caro, deixe de bobagem e faça o que tem que fazer: retuíte outras coisas minhas, que tenham sido escritas em tempos mais felizes. E, principalmente, vá lá corre dar um abraço no ser que te irritou e manda dizer que eu não aprovo nenhuma jogada de toalha antes do último round.

.: Este site tem a bondade de reunir os audio posts do tumblr. Só queria dizer que gosto de todas as músicas que eu postei, obviamente, pois eu as postei. Mas que Harvest Moon do Neil Young e Bird stealing bread do Iron & Wine tem me trazido uma joie de vivre que nenhum bolinho madalena molhado no chá conseguiria.

.: Dando sequência ao que inventei de fazer no último miettes, e a isso pondo o esmerado nome de tradição, dou-lhes uma ilustração indecente e uma recomendação: Whateversexual. A grande coisa desse tumblr são animes e ilustrações eróticas, mas o cara tem um bom gosto danado pra fotos também, como essa, que é uma das minhas favoritas.

.: Só pra avisar: eu escrevo um post, publico, e passo as horas seguintes corrigindo erros e retocando frases. Não é falta de revisão anterior à publicação. É um pouco de falta de atenção e muito de frescura. Mas fazer o quê, born this way é o mote do século XXI.

.: Falando em frescura, o “Sobre” deste blog muda toda semana. Começou com uma constante insatisfação com a descrição que eu mesma fazia de mim e deste cafofo, acabou virando piada e agora eu só mantenho o blog pra ter uma descrição que eu possa mudar sempre. Born this way, born this way, born this way

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9 Respostas

  1. Eu evito muito colocar no blog ou no twitter frases escritas sobre a influência dos sentimentos do momento, não só porque meu humor varia terrivelmente, a ponto de às vezes precisar de remédios para controlá-lo, como pelo fato de que tais “pensamentos” ficam logo datados. Acho que vale a pena, sim, eventualmente, fazer uma narração desses estados de espírito, coisa que você sabe fazer muito bem, alás.

    Todos os (poucos) posts mais confessionais que eu publiquei, o fiz depois de muito refletir sobre se eles eram algo menos impermanente do que esses aforismos de pé quebrado que a gente inventa todo dia.

    PS: qualquer relação importante, seja indo em direção ao sucesso ou ao fracasso, demanda muito gasto de energia. O trabalho dignifica, hehehe.

    • ah, eu comecei a filtrar um pouco mais de uns meses pra cá, mas não adianta, eu gosto do registro e tento fazê-lo sempre, da maneira mais discreta que for possível quando envolver alguém que não tem que ser evidenciado. e aí que surgem esses aforismos de pé quebrado (hahaha adorei).

  2. Gosto muito do seu blog.

  3. Harvest Moon, que linda lembrança, Aline.

    Abraços, Orlando.

  4. Depois de revisar um post pela sétima vez depois de publicado, tinha de vir aqui fazer minha confissão…

    … e dizer que seus textos continuam maravilhosos. Parei a leitura lá atrás no jusqu’ici tout va bien, logo quando saía do ninho antigo. Tenho muito a ler ainda… e aquele coelho branco me roubou o tempo.

    Ah, adoro Iron & Wine, e Calexico, e ambos tocando juntos, e OP8 e Lisa Germano e todos juntos de novo, mas Good Friday da Cocorosie (http://www.dailymotion.com/video/x1q2vk_cocorosie-good-friday_music) é a que me põe aquele sorriso do nada, não importa que mundo esteja caindo em volta. Não pela letra, nem pela música, que ajudam muito, mas porque passei três meses longe de casa e levei o CD da minha mulher…

  5. aq lgal

  6. adorei seu blog u.u

  7. Qual o nome do artista ou quadrinho que vc retirou a imagem?

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