9 coisas

Há convites que recebemos e recusamos um pouco constrangidos, não necessariamente porque não gostamos do evento, mas porque nos sentimos inadequados a ele. Acontece que quando o Inagaki me passou esse meme de contar 9 coisas sobre mim, eu só conseguia pensar que, meodeos, não existem 9 coisas sobre mim, eu não lembro mais onde fica o depósito de causos sobre mim, eu não tenho nem roupa nem veículo com caçamba pra ir catar 9 histórias sobre mim. Mas – aprendeis – convite do Inagaki não se recusa, e eu, que ando numa fase correta, corretíssima, não vou sequer repetir as 6 coisas que já contei um ano e meio atrás. Então eu vou falar sobre os 9 bichinhos de estimação que já passaram por mim, e, numa coincidência muito bem-vinda, conseguirei através deles tocar as fases importantes da minha vida até agora. Se nesta diacronia não sair vitoriosa, ao menos terei oferecido 9 bons retratos do que eu fui, do que eu sou.

1. A tartaruga. Se houve um bichinho antes de Marilu, a tartaruga, pouco me importa. Marilu foi a primeira a ocupar meu coração infante, numa época feliz em que eu ainda era filha única e rainha absoluta da casa. Não sei de quem foi a ideia de dar um animalzinho tão expressivo e participativo a uma criança de 2 anos, mas o feito não foi de todo errado, porque eu me dispunha a fazer da rotina de Marilu uma jornada emocionante. Dar alface, carregá-la pra cima e pra baixo no quintal, batucar no casco e colori-lo com giz de lousa, fazê-la esconder a cabeça diante de meus dedinhos intrometidos. Divertíamos muito, Marilu e eu, naquela casa. E por isso nunca pude entender como foi que Marilu sumiu. É, sumiu. Estava lá numa noite, mas não amanheceu na mesma casa que eu. Meus pais ainda dizem que foi roubada, mas vamos ser sinceros? Quem roubaria uma tartaruga em pleno Brooklin paulistano? As crianças da rua tinham poodles afrescalhados e gatos sedentários, ninguém partilhava da genialidade que era ter uma jabuti no quintal. Eu, já naquela época, sabia que Marilu tinha fugido. Senti-me traída, claro. Imaginei-a arquitetando a fuga enquanto eu, abnegada, tentava diverti-la pondo seu casco de cabeça pra baixo. Marilu foi minha primeira desilusão.

com quem marilu aprendeu a arte do disfarce

2. O pássaro. Talvez Negrão tenha sido contemporâneo de Marilu, porque era o pássaro querido do meu pai. Cantava muito bonito, aquele pássaro preto. O pai sempre foi apaixonado por pássaros. Ele tinha 13 anos quando o pai dele morreu, e acabou herdando o pássaro preto que meu avô adorava. Um dia meu pai achou os restos do pássaro na gaiola, obra de um gato da vizinhança. O ódio que ele tem por gatos explica porque, entre os animais que eu já tive, não figura nenhum gato. Eu bem que quis, mas ódio que a gente pega na infância não passa assim fácil, não. Os gatos precisariam demonstrar pro meu pai que eles entendem a perda que sofreu, que sentem muito e se dispõem a recompensá-lo com grandes serenatas de miados em homenagem ao pássaro outrora almoçado. Como meu pai nunca recebeu carta oficial da associação de felinos, a rixa fica como está, e eu sigo sem um gato na minha história. Ah, o Negrão? Eu gostava dele, na medida em que meu pai gostava e a gente aprende a amar as coisas que as pessoas caras amam. Ele só pôde entrar na minha vida porque eu estava sem nenhum bichinho e porque, tendo crescido, eu não mais tinha medo de pôr a mão na gaiola para alimentá-lo. Mas fugiu, o canalha. Uns 15 meses depois da Marilu, calculo. Já morávamos no Jardim da Saúde, meu irmão já era nascido e eu perdera a soberania. Negrão escafedeu-se num fim de semana em que fomos viajar e ele ficou com a vizinha. O que só reforça minha tese de que ele e Marilu tinham arquitetado um plano infalível. Negrão imprimiu em mim uma reação inversa à da maioria das pessoas, que vê numa gaiola vazia um sinal de libertação. Sei da crueldade de manter o bichinho preso. Mas tristeza que se pega na infância não passa assim fácil, não. Gaiola vazia, no fundo, pra mim, é coisa triste.

feriadão em mongaguá: a oportunidade de ouro do negrão

3. Os pintinhos. Tentem entender que pintinho não é brinquedo, não é coisa que se dá pra crianças com idade de 5, 3 e 1 anos, sobretudo se uma delas tiver problemas de abandono (ver item 1 e 2). Não tínhamos nenhuma veneração pelos pintinhos, mas me desculpo dizendo que ninguém tinha numa época em que era moda dar pintinhos pra molecada. Morreram os 3, sem nome, sem honras e sem glória, exaustos e afogados na pia, depois de correr de nós, e duelar com os 3 pintinhos dos 3 filhos da vizinha, que eram nossos companheiros de todas as arruaças. Morreram em menos de uma semana e foram enterrados nas caixinhas de chupeta da Dani. Façamos um minuto de silêncio por eles agora, porque nem na hora do velório, enquanto minha avó cavava um buraco perto da árvore de frente de casa, nós conseguimos manter a compostura.

4. Os coelhos. Tivemos coelhos. Não lembro o porquê, sei que eles vieram, pelas minhas contas, um ano depois dos pintinhos. Um macho branco, de olhos vermelhos e tudo. O clichê do coelho, nós tivemos, e nele pusemos o nome de Sansão, influenciados pela Turma da Mônica. A fêmea era Nininha, marrom clarinha, muito bonita também, mas ofuscada pelo clichê de coelho branco. Eram bichinhos dóceis, pacientes, sobreviveram ao entusiasmo infantil, mas também não nos impressionaram de alguma maneira. Saíram da minha vida tão discretamente quanto chegaram, sem muita emoção. Nós queríamos um animal que pudesse participar de verdade das brincadeiras, e para que nosso cachorro chegasse em casa, decidimos nos despedir do casal de coelhos.

5. O cachorro. A ideia de ter um pastor alemão foi do meu pai e minha mãe adorou. Tida, a avó que passava o dia conosco para que pai e mãe trabalhassem fora, nunca achou a ideia brilhante, mas aceitou. Então o Lobo chegou filhotinho lá em casa, ainda aquele sobrado do Jardim da Saúde. Ele se tornou o xodó da família inteira na hora e foi testando nosso afeto enquanto destruía a casa. Roeu tudo o que alcançou, puxou as roupas do varal, latiu nas noites de maior cansaço, cagou no tapete da minha mãe e comeu seus melhores sapatos. Mas também foi nosso amigo indispensável. Eu, particularmente, adorava me exibir com ele. Chamava amiguinhos da escola em casa e fazia questão de mostrar como ele era fofo comigo e demoníaco com eles. O Filipe se divertia muito também, mas eu acho que quem mais amou o Lobo foi a Dani. Ela ainda não tinha idade pra ir à escolinha, então ficava com ele o tempo todo. E deitava em cima dele, e punha a mão na boca, e se fazia carregar. Só que ele cresceu muito e meus pais ficaram com dó de mantê-lo num quintal tão apertado. Foi ela quem mais sentiu quando Lobo foi dado a uma tia nossa, que tinha um sítio num terreno grande e um galinheiro com todas as galinhas que ele podia caçar, mantendo nossa tradição de dizimar os galináceos (ver item 3).

6. Os peixes. Quem ganhou o aquário fui eu. Meu padrinho, que de longe era o parente que dava os melhores presentes, montou um aquário lindo pra mim, com aqueles kinguios dourados, uns dois telescópios pretos, mais alguns acarás bandeira, vários paulistinhas,  e um borbulhador em forma de baú de tesouro pirata. Não era tão divertido quanto brincar com o Lobo, mas pra uma criança que já tinha se virado com uma tartaruga, um grupo de peixes dava bem pro gasto. Contentei-me com o aquário, que foi colocado em destaque na sala, ao lado do grande sofá de 3 lugares onde eu podia mostrar às visitas a grande piscicultora que eu era. Meu avô ria da minha tarefa, e ameaçava pescar meus peixes pra fritar. Mas o carrasco deles foi o Filipe, que era uma criança terrível. Ele inventou de brincar de ginasta: tomava distância, corria, dava um duplo twist carpado sobre o braço do sofá e fazia a cambalhota tripla sobre os assentos. Numa dessas vezes, o diabinho bateu o pé no aquário, que bateu na parede e trincou. Horas mais tarde, a Tida vê o tapete da sala ensopado e os peixes agonizando nos dois dedinhos de água que restavam no áquario, e assim meus pais constataram que a gente não tinha jeito com animais. Desenterramos o banco imobiliário, o torremoto e o pense bem do armário na mesma semana, e a carreira de ginasta do meu irmão foi proibida.

inimigo público nº1 do nemo

7. A zebra. Nessa fase sem bichinhos de estimação, eu e meus irmãos aprendemos a nos contentar uns com os outros e o monte de brinquedos. Houve uma zebrinha de pelúcia, que a Dani pegou numa daquelas máquinas, numa das vezes que foi ao fliperama com o Fi. Já não morávamos mais no sobrado, nem em São Paulo. Lá na praia as distrações eram muitas, a liberdade de brincar fora de casa era maior, minha adolescência estava começando e meus irmãos divertiam-se com os videogames da década de 90. A zebrinha, que a Dani chamava de Júnior, só entra aqui na lista dos 9 porque ela se tornou alvo de perseguição e chacota do Filipe e virou centro de episódios memoráveis. Uma vez ele vestiu uma camisa como fazem os criminosos que querem esconder o rosto e simulou um sequestro do Júnior. Que, a propósito, ele chamava de Zebu porque era uma zebra muito feia. Minha mãe não conseguiu nem dar bronca e ordenar devolução imediata do brinquedo à Dani, toda chorosa. A mãe ria, de perder as forças, com a palhaçada que o moleque armou.
Outra cena que Zebu protagonizou aconteceu bem mais tarde, quando éramos já todos adultos e nem morávamos mais com meus pais na praia. Eu e o Fi tínhamos voltado pra São Paulo pra fazer faculdade, a Dani estava em Campinas pelo mesmo motivo. Naquele fim de semana, nós três fomos visitar os pais e, sei lá como, Filipe achou Zebu Zebrinha no fundo do quartinho da bagunça. E exigiu explicações da Dani, disse que ela abandonou o brinquedo favorito e quis pegar Zebu pra ele, todo teatral. A Dani não aceitou, e então nós fizemos um julgamento estilo Law&Order pra determinar com quem ficaria a guarda de Zebu Zebrinha. Meu pai era o juiz, o Filipe fez as vezes de promotoria e eu fui a advogada de defesa da Dani. Com direito a depoimento e tudo, inclusive da zebra de pelúcia. Tudo isso diante de minha mãe, que se matava de rir, e um Paulo incrédulo, com quem eu tinha começado a namorar há poucas semanas. Eu sei que contando, assim, parece muito bobo. Mas rimos muito com a encenação e desses episódios banais é que se compõe um acervo de memórias e afetos. Hoje, cinco anos depois, eu ainda me divirto com a lembrança. Acho que vou rir dela pra sempre, e quanto mais distante ela estiver, no tempo, mais adorável me parecerá. Em tempo: a guarda de Zebu Zebrinha foi para o Filipe, que o levou consigo para Portugal ano passado por exigência da Dani.

Zebu Zebrinha passa no vestibular pra química

8. Os cachorros. Quando eu conheci Paulo, ele tinha 3 boxers. Athena e seus dois filhotes já crescidos: Apolo e Lolita. Lolita deveria se chamar Diana e honrar a linha de nomes de deuses gregos, mas parece que ela se manifestou efusivamente quando ouviu a irmã do Paulo cantar Lolita (“Lolita/ I wanna meet ya/ I wanna take you in my arms and squeeze ya/ ‘cause you amaze me“) e pronto, mudaram-lhe o nome. No final de semana em que Paulo ia conhecer meus pais, Athena morreu. Nós estávamos saindo da casa de uma amiga pra descer a serra quando minha cunhada ligou pra dar a notícia. Eu ainda não tinha convivido com ela o bastante pra sentir sua morte, mas vi todo mundo na casa muito triste, sobretudo porque ela morreu de repente, quietinha, sem estar doente nem nada. Lembro que o Paulo sentou no quintal e o Apolo, que estava muito amuado, encostou bem de leve nele, como se encaixasse a cabeça no ombro e pedisse consolo. Eu confesso que minha falta de contato com cachorros em todos aqueles anos me fez ignorar a capacidade sensível desses animais. Então pra mim foi uma lição. O Apolo sabia exatamente o que estava acontecendo, e estava ali, solene, exprimindo tristeza. Ficaram um tempo abraçados, Paulo e seu boxer gigante, em luto. Tive oportunidade de conviver bastante com Apolo e Lolita, nos anos seguintes, e me apaixonei por eles.

paulo e apolo

9. O próximo. O item 8 me traz aqui, ao nono e último item da lista. Não há mais nenhum bichinho de estimação na minha história, mas, puxa, como eu gostaria. Moro num apartamento alugado e por contrato eu não posso ter nenhum animal. Consolo-me, por enquanto, sabendo que este é um apartamento provisório, que esta provavelmente é uma cidade provisória, então a vinda de um membro a esta família que eu recentemente formei com o Paulo é certa. Consideramos ter um gato, já que nenhum dos dois nunca teve e seria muito bom saber como é. Mas acho que o coração dele secretamente torce pra que adotemos um cachorro mesmo, um que seja bem alegre. Aliás, sendo franca, acho que eu também vou acabar preferindo um cachorro. Que seja gorducho o bastante pra eu chamar de Jabulani, e que seja brincalhão e companheiro porque eu e Paulo estamos pensando em entrar na lista de pais adotivos logo, logo.

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13 Respostas

  1. Aline, tu escreves bem demais. Bah! :) Lindas histórias. Obrigado.

    • ah Tiagón! eu fico tão lisongeada de receber um comentário seu! eu que agradeço vc vir aqui =****

  2. Na infância eu quis ter bichos, mas meuspai não concordava. Teve um peixinho aquário em algum momento, mas não cheguei a me afeiçoar. Aliás, tivemos peixes em vários momentos, ô bichinho que não dura muito. A última vez, eu adulta já, minha mãe ligou no meu trabalho pra dizer que tinha comprado um peixinho. Eu respondi: “ah, tá”. E ela disse: “tô aqui, olhando pra ele”. Só então eu me dei conta de que ela não tava falando do jantar. Ô, insensível que eu sou :\
    No mais, tão lindo este post. Fico tão feliz que você tenha voltado a escrever. Sem bajulação, viu? É que me faz bem te ler.

    • Eu acho aquário lindo, então rola uma empatia com o aquário, e não exatamente com os peixes. Quer dizer, com um ou outro peixe, sim, mas no geral eles não cativam.

      Puxa, não acho que é bajulação. Fico feliz de saber que vc gosta de ler o que eu escrevo. A graça de blog é isso, é ir falando de coisas aleatórias, ir lendo coisas aleatórias, batendo papo quando achar bom, porque é bom. Aliás, só com seu comentário eu lembrei que esqueci de passar o meme adiante, e eu tinha pensado em você. Fica o convite, se vc tiver vontade.

      um abraço, e obrigada :)

      • Eu vou escrever, sim. Obrigada pelo convite. Tô aqui elaborando aindo o que, porque como você contou no seu, como assim 9 coisas. Mas acho que já achei sobre o quê, só falta elaborar. Bjo!

  3. Aline, você sabe que lhe convidei para o meme por motivos essencialmente egoístas, né? Sabia que ia sair coisa boa a partir desse mote, assim como cabotinamente tinha certeza de que não ia me enganar nessa. :) Adorei seus causos sobre bichos de estimação. Mas eu seria incapaz de embarcar num meme temático desses porque o único bicho que tive na vida foi um peixe que morreu ao ter pulado para fora do aquário. Até compreendo que viver encapsulado num aquário deva ser um tédio da porra, mas tenho lá minhas dúvidas se foi suicídio ou assassinato acidental, porque lamentavelmente descobri que ele estava fora d’água ao pisar nele. Bem, não preciso me alongar pra dizer que, depois desse trauma, jamais tive outro peixinho em casa…

    • Eu confesso que desesperei um pouco. Fiz uma lista de possibilidades e não conseguia achar volume de história que prestasse. Foi como ter que fazer redação de tema livre, meu pesadelo na escola. Felizmente encontrei essa solução homenageando meus bichinhos, que foram muitos, afinal. Adorei escrever o meme e fiquei altamente lisongeada – de novo – de saber que vc me lê e gosta do que escrevo. Agradeço sempre sua delicadeza :)

      E outra coisa: Ina, vc é filho do Bill e da Beatrix Kido? =P

  4. […] This post was mentioned on Twitter by Arthur Kenzo Higasi, aline. aline said: Só o @inagaki pra me fazer contar que deixei uma jabuti fugir, matei 3 pintinhos e perdi a guarda de uma zebra http://tinyurl.com/2wlbr3m […]

  5. Ah, que delícia de post! Cheguei aqui pelo blog do Inagaki, vi o meme lá e acabei roubando pro meu blog também. Adorei a ideia de falar dos bichinhos, lá em casa já teve bastante variedade: periquito, maritaca, várias raças de cachorros, um cágado, um mico e, por um curto espaço de tempo, um filhotinho de gambá, cuja mãe havia sido assassinada pelo pastor alemão da casa. Mas não durou muito (felizmente, eu acho!).
    abraço

    • nossa, quanto bicho. todos gostáveis, menos o gambá. aí é pedir demais. =P

      obrigada, e abraço

  6. Lindo texto! Amei!
    :-*

  7. Ah, adorei o post e cheguei aqui pelo ‘pensar enlouquece, pense nisso.’
    Eu tive coelha, branca e de olhos vermelhos, peixes e pintinhos, que não duraram muito, e nunca tive uma tartaruga, porque não tive. E também nunca tive um gato, porque minha mãe nunca permitiu [ela não gosta].
    Tive cadela que morreu cedo demais, mas o que mais marcou minha vida foram meus cahorros, Sansão e White [um belo cachorrão de pelo preto], até hoje sinto saudade. Agora minha vida é preenchida por uma labradora atentada. Gostei bastante do seu texto e algumas partes realmente me emocionaram!

    • Silvana e Juliana, obrigada! =)

      beijos

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