cachalote

.: Ouvi, por toda parte, que Cachalote (de Daniel Galera e Rafael Coutinho) era um livro ótimo, bonito e melancólico. Concordando com as duas primeiras assertivas, disponho-me, aqui, a refutar esta última, aliás, não refutar, mas comenta-la um pouco. Certamente eu vou negligenciar vários aspectos importantes da obra, vou spoilar algumas pessoas, vou desperdiçar a bela especificidade do HQ em detrimento da abordagem de seu enredo, das minhas passagens preferidas, das figuras de linguagem. Paciência. Há ossos de ofício que cabem aos outros roer, e este é um deles. É bom lembrar também que Daniel Galera está vivo, saudável e relativamente perto de mim: só um ou dois graus de followings no twitter. Se eu conseguir fazer um texto razoável, ok, tudo continuará bem. Mas se eu escrever uma idiotice grande, daquelas, corro o risco de ter meu texto levado até o autor e a vergonha será a maior. Nós literatos somos meio necrófilos, e se há um pesadelo próprio à categoria, creio que é este: um escritor que volta do túmulo para dizer que estamos loucos e equivocados, contradizer a interpretação, condenar os fundamentos da crítica e jogar sal sobre a lista de referências etc etc. Mas chega de enrolação, vou logo nisso aqui.

.: A estrutura do livro é simples de descrever: cinco histórias, cujos protagonistas são todos homens muito diferentes entre si, que acontecem independentemente. Um não passa pela história do outro, nem de leve, nem forçando a barra. A unidade do livro, o que amarra as histórias mesmo, tem mais a ver com os dilemas, os assuntos, as complicações em que cada um deles se coloca – nisso, sim, eles se esbarram um pouco. A vida cotidiana, amor, sexo, morte, amizade, solidão, arte, trabalho, cobranças, expectativas. A vida, naquela bagunça de dar dó. Se tomadas isoladamente, as histórias dão conta do recado, cada uma delas. Criam sentido, dialogam com a gente, são interessantes, provocativas. Mas há um elemento externo, meio non sense, cujo estandarte é a tal da baleia cachalote, que inscreve essas histórias, juntas, numa esfera lírica e desestabiliza, inclusive, nossa compreensão da normalidade da vida dos personagens. E aí o livro passa de ordinário a excepcional, de cotidiano a mágico. A cachalote aparece no começo e no fim do livro, em duas passagens que parecem fazer uma espécie de prólogo e epílogo dos capítulos nos quais veremos os 5 personagens serem apresentados e desenvolvidos. Esse livro acertou em cheio, comigo, porque ele toca figuras que já me são caras. A baleia, que tem na cachalote seu arquétipo, é uma delas. Acho fascinante como esse animal, todo superlativo, imenso e pesado, simplesmente parece a coisa mais leve e suave quando está no mar. O “prólogo” do livro, então, traz isso com força. Tem uma velha, grávida, sozinha, numa mansão. Ela vai dar um mergulho e tem uma cachalote na piscina. Elas se aproximam, cuidadosas, se tocam. E só. Veja bem. É o meu acervo que eu to trazendo aqui. Velha na literatura, pra mim, chamará sempre a velha intratável da Clarice. É quase imediata a relação, na minha cabeça. Velha, punho cerrado, bolo seco, ódio aos descendentes. E aí, logo de primeira, Cachalote faz esse deslocamento poético na minha cara e traz uma velha muito velha e grávida. Doce, viva, plena. Com uma cachalote mansa e cúmplice, descendente direta da ameaçadora Moby Dick, nadando numa piscina e fazendo, assim, o segundo deslocamento poético em menos de 3 páginas. Vi várias referências a devaneio, sonho, delírio da velha nos comentários por aí. Não vou seguir esse rumo, não. Uma velha grávida tocando uma cachalote com a ponta dos dedos numa piscina é coisa demais pra eu condensar num sonho. Eu acho até tentador fazer isso, já que as histórias que seguem não trazem nenhum traço de irrealidade. O máximo que elas carregam, como eu disse, é o estranhamento próprio da vida comum, bagunçada, imprevisível, complexa. Mas meu entendimento dessa dupla leva minha leitura pra outra banda, mesmo.

.: Aliás, se eu defino a velha e a baleia como guias de um lirismo mágico, diminuo também o teor melancólico das narrativas no geral. Como os protagonistas estão em situações conflituosas (condição necessária pra que haja uma história, diga-se), li muitas vezes a palavra melancolia pra descrever o tom da obra toda. Mas melancolia não é tristeza. Podem se parecer, essas duas, mas nunca se igualar. Cachalote tem uma toada triste, é verdade, e tem um movimento melancólico, mas não faz disso seu mote, eu acho. É que melancolia tem a ver com perda, com um tipo de perda que impacta de tal maneira uma pessoa que ela é incapaz de tocar a vida. O sujeito melancólico, em última instância, perde a si mesmo, é fragmentado, quebrado, está preso a um episódio violento e arrebatador do passado. A gente até pode minimizar aqui e esticar um pouco o conceito acolá, e lembrar que gente muito séria já disse que existe uma certa melancolia na experiência da cidade moderna que dispensa, inclusive, o tal do episódio violento. Mesmo assim, acho que não é exatamente esse o caso das personagens ou do livro como um todo porque no final os personagens reagem e, de algum modo, superam as perdas que sofreram.

.: Eu disse cinco protagonistas: um ator, um escultor, um praticante de kinbaku, um escritor e um playboy. Em ritmos e intensidades diferentes, eles atravessam boa parte do livro espreitando o abismo e a exaustão bem de perto. Se eu for comentar a história de cada um deles, o post fica excessivamente grande, então é melhor comentar só uma. A história do cara do kinbaku é minha preferida, eu acho. É um cara normal, o Vitório, trabalha numa loja de ferragens, toca a vida na boa. Ele curte amarrar as mulheres pra trepar. Aí ele conhece uma menina especialmente linda – cujo rosto a gente nunca vê. A Lara. Eles se apaixonam, etc. Logo de começo ela diz que é muito frágil, que é pra ser tratada como se fosse de cristal. E ele fica nessa de trata-la feito princesa e nunca menciona o kinbaku, embora tenha vontade porque é o lance que ele curte fazer e tal. Só que a Lara descobre, fica fascinada e quer ser amarrada. Ele amarra, mas ela é frágil mesmo. Se machuca toda hora. O recurso gráfico que eles encontraram pra mostrar é lindo. No corpo dela ficam marcas de vidro quebrado. Nos pulsos, nos tornozelos, nas coxas, no queixo. Me causou uma impressão forte. Sei que o cara vai apavorando, e ela vai ficando irritada com o pavor dele. Porque ele a protege à revelia dos pedidos dela. Lara insiste, desafia, provoca, protesta. E ele fica perdido no meio disso. Ela vai “quebrando” aos poucos, a cada vez que é atada, mas vai curtindo mais e mais. E ele nunca consegue trepar com ela direito, por medo de machucar. A crise que isso desencadeia no relacionamento é enorme. O Vitório fica tentando pautar o jogo, achar o limite dela. Só que o limite dela é dela. Ninguém lhe tira. Ele fica com muito medo de quebra-la e, ao mesmo tempo, com medo de perde-la. Porque, claro, a Lara não quer ser o bibelô dele, ela quer ser um “vaso quebrado”, deseja o Vitório e o sexo dentro das regras do jogo dele. Essa incompatibilidade entre o cuidado e o fetiche se torna o abismo do Vitório, o inferno mesmo.

Com os outros 4 acontece isso também, de eles enfrentarem abismos, infernos e ficarem em frangalhos. E na trajetória de cada um, eu diria, isso compõe um movimento melancólico no qual eles perdem alguma coisa e, sobretudo, chegam bem pertinho de se perderem de vez. Mas eu acho que tem um salto, no final, que salva todos eles. Sempre em graus e intensidades diferentes, claro. Mas salva. Abre a chance de plenitude, de alguma serenidade, ou pelo menos de alguma justiça poética. O Vitório enfrenta a fragilidade da Lara, e numa metáfora lindíssima do amor, ele se entrega ao risco da destruição da amante, se entrega ao desejo dela e à entrega dela ao seu próprio jogo, ele aceita enfim as marcas que nela causará porque, afinal, não pode evitar que ela viva e queira as marcas das escolhas que faz. Eles se gostam muito. E tem isso de ela ser muito bonita, e então ele perde a coragem de olhar pro corpo machucado dela. Mas ela quer se ver, então ele fecha os olhos pra que eles trepem de luz acesa e ela possa ver a si mesma como queria desde sempre.
A história do playboy é muito boa também, mas por causa do desfecho. Basicamente é um rapaz grosseiro, prepotente, rico e desleal. Ele transa com a esposa do tio, que o sustenta, acaba expulso de casa e vai torrar grana na Europa. E só se lasca por lá. Perdido mesmo. Mas no final ele encontra uma cachalote encalhada na praia. E tenta sozinho devolver pro mar, tenta manter a baleia molhada. É o único gesto de delicadeza e compaixão dele. Ele sai do ritmo frenético e autodestrutivo pra sentar-se calmamente ao lado da baleia encalhada na praia. Gosto demais da cena, me enche os olhos.

.: O gran finale é com a velha, na praia. Tem um menino com ela, que é o filho, e ele está brincando com uma baleia miniatura. Não tem fala nenhuma nas partes da velha. Ela só está lá, olhando o menino, e o menino olhando o mar. Então ele levanta, abraça a velha, vai pra água e não volta. Ela recolhe as coisas, a baleia de brinquedo inclusive, dá as costas pro mar, e vai embora. Fico só eu na praia, olhando, a partir do mar, a velha que foi embora. Não é tão forte quanto uma cachalote na piscina, mas a criança no mar é uma imagem muito bonita também. Ela que encerra, numa inversão simétrica, se é possível pensar assim, a cena inicial da piscina. Por isso eu recuso que seja sonho ou delírio da velha. Na verdade, eu acho que não é nem interessante investigar de onde vem essa velha e a baleia porque pra mim a presença delas não tem nada a ver com mistério, tem a ver com lirismo mesmo. E às vezes trata-se simplesmente de aceitar o elemento extraordinário sem fazer muita pergunta, apenas deixar que ele sozinho determine o fôlego que dará ao resto da história. E eu disse “fôlego” deliberadamente. Se tem uma coisa que o mundo sabe sobre a cachalote é que ela mergulha mais fundo e por mais tempo do que qualquer outro animal. E que ela sempre volta. Paulo me assoprou que a baleia talvez seja a única coisa real. Não posso concordar em conferir realidade à baleia. Certamente ela redimensiona as experiências dos personagens, mas não necessariamente compete com eles em concretude. Eu acho que a cachalote é aquilo que não permite que as 5 narrativas sejam restritas a um realismo estilizado, como um lirismo das coisas triviais. Não sei, tou improvisando muito nessas expressões aí. Ela, a baleia, coloca as histórias deles em outro horizonte, o horizonte dela. Que é imenso e impossível e belo. Eu aceitei a cachalote na piscina assim como aceitei os 5 personagens mergulhando o mais fundo que podiam, quase morrendo de falta de ar. Mas eles voltaram também. Um pouco exaustos, um pouco feridos, um pouco entristecidos, mas capazes e plenamente inseridos num mundo de possibilidades, aberto, instável, complicado, intrigante – tipo o mar.

Anúncios

39 Respostas

  1. Muito, muito bacana esse seu texto, Aline. Gosto muito como você joga um novo olhar sobre essas coisinhas que eu gosto. Foi asssim com os 500 dias de summer também.
    Cachalote foi uma das minhas histórias prediletas do ano. Gosto muito dos livros do Galera e curti muito o clima de Cachalote. Lírico, melancólico ou o que for, é uma obra que me alimentou bastante.

    Fui no lançamento de Cachalote aqui em Curitiba e o Rafael Coutinho contou a versão dele sobre o prólogo e epílogo da velha e a baleia. É como você disse, a versão dele tem lógica e é bacana, mas é melhor a gente ficar com as nossas próprias interpretações, as nossas próprias dúvidas.

    Não sei se você vai gostar, ou se já não leu, mas procure Umbigo Sem Fundo, do Dash Shaw (Companhia das Letras) e Fun Home, da Alison Bechdel (Editora Conrad). Depois me conte o que achou.

    Saludos

    • Obrigada, Liber! :)

      o olhar varia sempre, né? isso que é muito bom.
      pelo amor, me conta que que o Coutinho te disse sobre a baleia? Eu não grilo com divergências de interpretações, não. Mesmo do autor. Posso abdicar da minha por uma melhor, posso preferir a minha, posso curtir as duas, as três, quatro, cinco… aliás, que que vc entendeu com a baleia?

      umbigo sem fundo eu já ouvi falar, mas não tão bem. fun home não conheço, vou atrás sim =)

      beijos!

      • Oi!

        Então, aconteceu que alguém da platéia perguntou sobre que raios significavam as sequencias da velha e da baleia. Não lembro como foi a pergunta, só que ela foi feita de maneira meio desastrada, causou uns risos na platéia e tal.

        Daí o Coutinho falou que a ideia era que cada um desse o sentido que achasse melhor. No caso de Coutinho, o sentido era que, no começo, a velha grávida entra na piscina pra nadar com o pai de seu filho, no caso a baleia. E, no final, alguns anos depois que o menino nasceu, ela vai com ele pra praia. O garoto entra no mar para ir se reencontrar com seu pai. Tipo um “fim de semana com papai”.

        Minha opinião sobre essas sequencias: eu prefiro quando as coisas não fazem sentido. Prefiro mais sentir do que pensar a respeito. E gosto do que sinto sobre Cachalote.

        Ah, sobre Umbigo Sem Fundo, teve muita gente que não gostou. Minha ressalva fica quanto à arte do Shaw, que eu acho muito tosca. Mas não chega a comprometer o resultado. Os pontos positivos são a trama, a narrativa, a construção da história. Eu gosto bastante. Mas vai na livraria e dá uma lidinha antes de comprar pra ver se vc curte.

        Vamos trocando figurinhas sobre essas pessoas estranhas e seus quadrinhos fascinantes.

        beijo!

        • liber, olha quem veio pessoalmente responder! =D

          vou atrás do umbigo sim, e a gente vai batendo uma bola. to lendo maus e jimmy corrigan. logo logo escrevo sobre (e continuo seguindo teu blog pra ver que que vc anda postando, etc)

          =**

  2. Que engraçado. Acho que lemos juntos, rs…li ontem à noite. Gostei bastante também. Pra mim, a baleia cachalote está perto da chuva de sapos do Paul Thomas Anderson em Magnólia. Gostei muito do seu texto e fiquei curioso pra saber o que ele disse também, rs…Beijo!

    • a chuva de sapo é uma lembrança e tanto, heim. concordo muito com essa comparação :)

      beijo, e obrigada!

  3. Não que a minha intenção ou a do Rafa realmente importem (a intenção do autor não vale mais nem menos que a interpretação de qualquer leitor), mas pra mim essa é a leitura mais bonita que já fizeram do nosso livro. O que tu diz sobre o final do Vitório e da Lara era exatamente o que buscávamos. E boa sacada sobre a simetria inversa da baleia na piscina e a criança entrando no mar. A intenção é mais lírica mesmo, não há “moral da história”. Obrigado pela leitura e pelos comentários generosos.

    • morri de ter um comentário seu, Daniel, ainda mais dizendo que foi a leitura mais bonita. fiquei em estado de graça. então eu que digo obrigada :)

  4. Para além do “concordo/discordo”, preciso comentar que essa crítica tá impressionantemente bem escrita.

  5. […] a exposição de originais da graphic novel que ocorrerá em setembro em São Paulo. A Aline, do blog Godot não virá, resenhou a hq de Daniel Galera e Rafael […]

  6. Twitter Trackbacks…

  7. Me sinto bem ruim depois de ler o seu texto. Ele é maravilhoso, sua leitura é maravilhosa, me emocionou de verdade. Eu escrevi uma micro-resenha no meu blog quando adquiri o livro e só pra suprir a falta de resenhas mesmo, e pra tentar instigar o povo a ler Cachalote, mas devo confessar que fui completamente arrebatado, eu e minha reseinha, e por isso eu te agradeço. Lindo mesmo. Parabéns.

    • ah, tem nada que se sentir mal, não. e obrigada pelo elogio :)

  8. Uma uma das mais belas resenhas de que me lembro. Admiro o trabalho do Daniel Galera e ainda não li o livro. Mas é só uma questão de horas, porque acabei de fazer o pedido. Você acaba de ganhar um seguidor no twitter.

    • muito obrigada joão. sou fã do galera tb, e cachalote vale muito a pena :)

  9. Logo que li a Cachalote, acabei não indo atrás de comentários, críticas ou interpretações. Acho que queria ficar com aquele sentimento que a leitura gerou em mim, um sentimento que não sei bem especificar, mas que não estava associado à melancolia não. Era algo bom de sentir, reconfortante talvez. Li o livro em um dia, já há quase dois meses (e as histórias segue rondando os pensamentos…), e essa foi a primeira crítica que li, por recomendação de meu irmão. É certo que cada um deve interpretar (ou não) Cachalote de seu próprio jeito, filtrando as histórias através de seus valores, crenças, experiências pessoais, referências, sei lá. Mas o fato é que me identifiquei muito com seu olhar e suas palavras, Aline. Obrigada por não deixar de compartilhar suas idéias e parabéns pela sua escrita.

    • ah, é bacana receber comentário assim. eu que agradeço! :)

  10. Simplicidade nas coisas bobas. belíssimo post. adorei.

  11. Aline, ainda não tinha lido o seu post sobre o Cachalote, ficou sublime. Mesmo que eu seja suspeito para falar da sua escrita, não deixo de me surpreender e invejar a argúcia e a desenvoltura com que você trata todo e qualquer assunto — ou em língua de dia de semana: ficou bom pra cacete!

    • ah, você é querido, arthur. muito obrigada pela gentileza, pela leitura e, principalmente, pelo diálogo. você e a eriquinha que me trouxeram os hqs, minha paixão sasonal. obrigada mesmo por isso. :)

  12. Belo texto mesmo.

  13. Resenha formidável, godotwaiter – kudos! :)

  14. […] você procurava uma interpretação literária da obra, desculpe. No entanto, a Aline esboçou um excelente ensaio sobre isso, elogiada inclusive pelo Daniel Galera, como a leitura mais bonita que já fizeram de […]

  15. Nem tenho o que dizer!
    esperei o cachalote como quem espera o trem pra casa da mãe! teu texto, nem tenho o que falar!

    ps. estas também na fúria das novelas gráficas

    • eu tbm esperei muito! e gostei, achei que valeu a espera =D

      se estou na fúria? feito pinto no lixo. hahahhahaha

  16. hahahhaha

  17. Acabei de ler o Cachalote e a muito tempo não me
    empolgava tanto com uma leitura. A exitação foi tanta
    que de imediato comecei a vasculhar blogs a fim de
    compartilhar impressões. Eis que esbarro com
    a sua excelente resenha, difícil achar bons textos ultimamente
    e realmente escrever é pra quem sabe. Infelizmente não sou dotado de tal habilidade, mas admiro quem o faz bem.
    Já favoritei o blog e mais tarde dou uma vasculhada, possivelmente mais um novo fã assíduo. Mas voltando ao Cachalote e ao que venho.
    Achei fantástico o prólogo e o epílogo, ” gran finale”, que foi realmente o que me fez vibrar e como você mesmo disse, fez toda a diferença entre uma boa estória e algo fora de série.
    Achei fantástico mesmo, acho que todos acharam. E pelo que pude ver nos coments, muitas interpretações. Acho lindo isso de como cada pessoa se coloca ao ler um livro.
    É isso, bela resenha, mais que reconhecida. Me senti menos órfão ao ter chegado ao blog, parabéns.
    Bom, e pra não ficar de fora… também vou entrar na brincadeira da baleia :D. NA minha visão ela é mais uma forma de ligar o
    conto do playboy com o prólogo e o epílogo, que são os únicos momentos em que a baleia aparece. Me parece justo imaginar que a velha, rica e solitária, está dando a luz ao Rique (playboy). O mesmo é citado no livro como criado pelo tio. No epílogo, eu entendo como sendo uma despedida, não do menino desaparecendo e sim uma metáfora da velha morrendo, quem some de quem?
    Talvez seja a ultima lembrança que Rique tenha de sua mãe. E aí sim, voltamos ao final de Rique, se vendo mais uma vez só, se sentindo novamente como, quando sua mãe se foi. Pausa para um cigarro e mais reflexões. E claro, junto a isso, toda aquela coisa de chegar ao fundo que está presente nos outros contos e tem a coisa do encalhar também… interessante isso ;)
    Bom, é só mais uma interpretação
    e até o próximo o/

    • Em primeiro lugar obrigada pela gentileza, pelos elogios. Segundo, seja bem vindo :)

      Cachalote é um livro bom, daria pra fazer vários posts sobre ele, sobre cada história. Livro assim dá gosto de comentar, de interpretar. Melhor ainda que ele é aberto o bastante pra comportar várias leituras, ele é generoso com o leitor, ele deixa as lacunas pra que a gente complete.

  18. Querida,
    E te chamo de querida porque de algum jeito te quero bem mesmo.
    Cachalote é sublime.
    Mas do teu texto, o que é realmente impecável é a definiçao que vc deu pra melancolia. Simples e perfeita.
    Chapô, como dizem por aqui.
    Até mais ver, porque certamente vou voltar.

    • Oi Carla

      Cachalote é empolgante mesmo, eu poderia fazer vários posts pra comentar as histórias.
      Muito obrigada pela gentileza, fique à vontade aqui! =)

      Aliás, seu blog é lindo. Adorei suas ilustrações, tá no meu reader já.

      Beijos

  19. Mencionaram esse post hoje na 102.9 FM do Rio de Janeiro.
    Parabéns!

    • uau! O.o
      muito obrigada por avisar =)

  20. ótimo texto, ótima leitura.
    curioso vc falar que o cara do bondage e a menina de vidro constroem a melhor parte do livro. minha namorada diz que as meninas preferem eles dois e os meninos preferem o xu. e olha que ela nem é maniqueista em relação a gênero.
    ela também diz que todos os personagens são baleias, todos tentando não encalhar.
    e também não admitimos que nada em cachalote seja explicado como sonho. mas acho que a menina de vidro não é um recurso gráfico, acho q ela é de vidro mesmo.

    • eu fiquei muito perto de falar do xu, que é meu preferido em outro quesito, eu o considero o melhor personagem. gosto da trajetória da lara e do vitório, mas a figura mais impressionante pra mim é o xu, de longe. não quis falar dele porque como a história dele passa pelo suicídio, eu achei que não conseguiria ser concisa como fui – ou tentei ser – em relação ao casal. mas enfim.
      é, eu concordo que são todos baleias. gostei disso :)
      a menina ser de vidro é uma solução poética muito elegante, e disso eu tbm gostei.

      abraço :)

  21. […] nesses anos após o lançamento o livro. Foram muitas, e várias eram interessantes. Lembro de um post de blog que uma garota chamada Aline publicou pouco tempo após o lançamento, e que me pareceu em sintonia […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s