o chinês americano

.: Eu comprei O Chinês Americano sem saber o que era, e foi uma ótima surpresa. Veio no meio de uma leva de HQs graphic novels que eu comprei, seguindo cegamente as indicações da Eriquinha. Ela nunca erra, é impressionante. Nova York, eu adorei.Retalhos eu to lendo aos poucos, intercalando com outras coisas, porque não to no clima. Então O Chinês Americano ficou sendo le chouchou de la maîtresse. Delicioso de ler, divertido, bem desenhado, colorido. Começa com a história de um macaco mitológico, o Rei Macaco. Essa histórma acontece em paralelo a outras duas. O Danny é um moleque bonito e popular que recebe a visita de um primo chinês, o Chin-Kee. E tem a história do Jin, que é filho de imigrantes chineses nos Estados Unidos. O Rei Macaco, uma versão que o autor fez de uma lenda chinesa, é menosprezado por todos os deuses e começa a chutar tudo no estilo kiwi. O Danny tá na outra ponta, como o típico americano. A história dele parodia o sitcom, com legendas de aplausos e risadas nas partes engraçadinhas. Esse primo chinês do Danny, ridículo de espalhafatoso, é mais que um estereótipo do chinês, é uma caricatura. E o Danny quase desmancha de tão humilhado que se sente com essa alteridade anabolizada do Chin-Kee. O Jin paira no meio dos outros dois, entre um Rei Macaco furioso e um Danny reprimido. O Jin só tenta ser normal. Esse aí em cima é ele se apaixonando pela primeira vez. Rejeição, adaptação, timidez, coragem, estereótipos, arquétipos. O mote é mais ou menos esse. As três histórias, no final, se encontram. O Danny é uma fuga do Jin, é a personificação da normalidade que ele queria. Só que ele não escapa do Chin-Kee, que fica mais escandaloso à medida que o Danny nega seu parentesco. O Chin-Kee chega a dar uma surra no Danny.  Na história do Jin, essa angústia corresponde ao desenvolvimento da história com a Amélia. E vai ficando mais e mais tenso e confuso pro Jin/Danny. Quem resolve o conflito todo, afinal, é o Rei Macaco. Deus ex machina total. Aparece na história dele, interfere e vai embora. Mas eu gostei muito do papel que coube ao mito nisso tudo. O Rei Macaco como a voz ancestral que se desprende de todo o contexto original, da rigidez da tradição, da liturgia, pra dizer pro american born chinese ficar bem. O mito, nós sabemos, é o imutável. Aí vem a literatura e o muda mesmo assim.

.: Resumi tudo e contei o final. Só te resta ler duma vez por todas.

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